As primeiras agências pioneiras do interior foram instaladas: uma no baixo Amazonas, duas no Tocantins e duas no eixo ferroviário Belém-Bragança (quando ainda existia a estrada), tendo como sedes as cidades de Santarém, Cametá, Abaetetuba, Capanema e Bragança. Esse grupo de agências proliferou de uma semeadura espalhada em terras férteis pelo Dr. Renato Franco. Ao germinar essa interiorização da CEF (Caixa Econômica Federal), os resultados se fizeram emergentes, para alimentar o orgulho daquele grande administrador.
Sem demérito aos demais colegas gerentes do interior, destaco três economiários1 que tocaram mais de perto a minha sensibilidade preferencial, foram eles: Osvaldo da Costa Silveira, Sílvio Pimenta e Odonaldo Cardoso (que será relatado em outro momento). Osvaldo Silveira, ao incorporar-se às hostes economiárias, começou pela agência de Cametá e de lá voltou a Belém, onde trabalhou comigo quando eu exercia o serviço de registro contábil das agências do interior, classificando o movimento operacional das mesmas. Osvaldo, muito aprendeu comigo em termos gerenciais, aprimorando ainda mais o que de fato ele já sabia.
De Belém, foi transferido para a agência de Abaetetuba, onde permaneceu um ano até quando surgiu um problema na agência de Bragança em consequência dos desmandos financeiramente delituosos ali praticados. Osvaldo foi então convocado para arrumar aquela casa e ficar efetivamente na gerência. As irregularidades, que acabaram por provocar a transferência aqui relatada, foram de autoria do gerente Bocage, emérito contador de anedotas que lhe valeu o apelido, sendo que grande distância o separa do poeta português Manuel Maria Barbosa Du Bocage.
Em 1962 o Osvaldo se transfere definitivamente para Belém, lotado na Carteira de Depósitos, na ocasião como caixa, até se aposentar já como caixa-executivo. Citar o nome de Osvaldo Silveira, entre os colegas economiários, é o suficiente para colhermos os maiores encômios como atestado conceitual de sua honradez e probidade.
E o Silvio Pimenta? O Silvio teve o privilegio de nascer na terra dos Romualdos, dos Mendonças, dos Parijós e de outros conterrâneos ilustres como Gentil Bittencourt, Enéas Martins e Ângelo Custódio. Os cametaenses se dizem inteligentes ao ponto de montarem relógios debaixo d'água. Eu acho existir lógica nessa afirmação, porque uma pujança intelectiva desse jaez deve vir das vitaminas do capilé, do chocolate, produtos originários do cacau, e da caldeirada do mapará, peixe saboroso e rico em proteínas e fósforo.
Na terra do Pimenta, saboreia-se entre outros acepipes, o tacacá com pimenta, principalmente na época junina, quando mais forte é a religiosidade e a devoção de alta contrição frente do padroeiro S. João Batista, festa religiosa que atrai romeiros de toda a região tocantina e até mesmo de Belém.
Depois desse modesto preâmbulo, cabe a mim por justiça escrever algo sobre a personalidade desse colega que foi o primeiro gerente da agência de Cametá, até a ascensão do Osvaldo Silveira na ocasião em que surgiram os desatinos do tesoureiro Braga, o qual foi sumariamente demitido.
Com a chegada do novo gerente, o Silvio foi transferido para Belém, deixando a sua agência, que administrou com eficiência, de 1951 a 1961. Em Belém, foi lotado na seção de Material, por onde se aposentou. Silvio lutou muito para manter incólume a sua inabalável honestidade, em razão dos estilhaços vindos da explosão da granada Braga. Felizmente nenhum estilhaço o atingiu.
Glossário
1. ¹. Economiário: funcionário da Caixa Econômica Federal.
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